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Conspiração Pernambuco
A insatisfação dos pernambucanos frente a monopolização e forte centralização do poder da Coroa Portuguesa se restringindo a capital Rio de Janeiro foi o motivo principal da Revolução Pernambucana que pedia a independência do Estado, maior exportador de cana de açúcar do Brasil na segunda década de 1.800. Bom, isso foi o que ficou registrado nos anais de nossa história. Mas, as versões sobre este relevante fato, são mais ricas em detalhes que talvez fujam da racionalidade dos registros históricos.
Os pernambucos vinham de saco bem cheio há um bom tempo com os portugas que, diga-se de passagem, controlavam tudo em nome do Império. Rei D. João VI apesar de ser um tanto lesado e lento pra governar, era cercado por um bando de asseclas e de sua esposa a bigoduda Carlota Joaquina que segundo as más línguas não dispensava umas boas farras regadas com cachaça e escolhidos crioulos. O rei se fazia de cego e conseguia manter a rainha bem distante de si. “Ora pois! Quem não ajuda, que não atrapalhe, o pá!’
A coisa começou a esquentar com o papo crescente de independências das colônias espanholas pelas Américas, a Independência dos Estados Unidos, sem contar com os papos de boteco sobre liberdade. Juntem-se a isso algumas ações de sociedades secretas que pregavam a libertação da colônia.
Mas, na realidade, um dos motivos que culminaram com a deflagração do movimento, foi o levante de um grupo de escravos, que arrebentaram um dos maiores engenhos de Recife, liderados por Berê, um crioulinho franzino que comandava uma turma que se lascava todos os dias, sem direito a nada a não ser a farta distribuição de chibatadas no lombo de qualquer um que não fosse branco.
Intitulando-se membro efetivo da família dos Palmares, por causa de constantes zumbidos em sua cabeça, e aproveitando-se de um caso extraconjugal do Capitão José de Barros Lima, o Leão do Coroado com uma de suas irmãs, Berê, príncipe em Moçambique, ia botar pra quebrar.
Bem, não foi difícil reunir em torno de uma causa, escravos, comerciantes, latifundiários e uma boa parcela de portugueses que estavam putos da vida, e não tinham a quem reclamar, pois pagavam pesados impostos e eram obrigados a sustentar as mordomias da Família Real, de toda a corte e demais puxa-sacos que fugiram das garras francesas de Napoleão Bonaparte. Além disso, esporadicamente o Rei D. João pedia vultosos empréstimos à Inglaterra que os ajudara a fugir de Portugal e instalar-se em terras tupiniquins.
O plano era simples: Pernambuco decretaria independência da Coroa Portuguesa e seria seguido por Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Esperaram o governador de Pernambuco, Caetano Pinto Montenegro viajar para o Rio de Janeiro e o fundunço começou.
Mas, paralelo a este levante havia outra conspiração patrocinada por uma destas sociedades secretas: Entregar toda a Família Real Portuguesa com bigode e tudo pra turma de Bonaparte. Berê, crioulinho bem relacionado era o emissário desta urbe. Tentou primeiramente o apoio dos índios que tinham motivos de sobra para odiar os portugueses. Além de serem passados pra trás no comércio de madeira levando pau-brasil nas costas, também foram escravizados. A adesão ao plano de expurgo dos portugueses não foi bem aceita e os índios preferiram se esconder por mais um tempo no mato pra ver que rumo iria tomar este plano.
Berê, com o aval da sociedade e de seus patrícios além África, não se deu por vencido e conseguiu contato com os holandeses que tinham grandes interesses em nossas terras, que o digam as suas invasões, apesar de serem sócios dos portugas no beneficiamento do açúcar. Mas a turma da laranja mecânica foi aconselhada a não participar de nada pela Inglaterra, forte aliada de Portugal.
No desespero de causa, Berê tentou até um contato com os vikings, mas os nórdicos estavam mais interessados em aterrorizar e pilhar países europeus, que proporcionavam viagens mais curtas. Além do que o Brasil era longe pra cacete e não tinha nada de valor a oferecer. Já imaginou remar no braço quase um ano de viagem? E vender uma falida Família Real a preço de bananas para o Napoleão? Um bando de escravos índios que morriam, mas não trabalhavam e tinham costume de andar pelados? E os africanos não compensavam e além do mais aguentar essa turma batucando quase um ano no navio, ninguém merece. Decididamente isso não era negócio pra nenhum viking decente.
Porra!!! O tempo ia passando e nenhum puto queria aderir ao movimento... quem sabe os alemães? Mas nem deram resposta à convocação. E aí a merda estourou... Pinto Montenegro ao saber do movimento conseguiu apoio incondicional da Coroa e veio derrubando tudo que opusesse ao seu caminho. Resultado: A maioria dos branquelos que lideraram abertamente o levante, foram presos e posteriormente soltos. Quem se ferrou mesmo, como sempre, foram os negões voltaram para a vida miserável do engenho que começou há virar 24 horas pra compensar os dois meses e meio de parada que durou o movimento.
O Berê ficou somente um dia no engenho, o suficiente pra ganhar do capataz umas boas chibatadas no lombo... conseguiu escapar ajudado pela sociedade secreta. De aparência sonsa, mas esperto como ele só tinha em seu histórico, a articulação uns anos antes, da Inconfidência Mineira (1789) em Vila Rica, hoje Ouro Preto. A conspiração só não deu certo por causa de um bando de poetas/almofadinhas, filhos de papais que na hora do pega pra capar caíram fora e sobrou para o otário de um alferes, o Tiradentes, que pagou o pato. Anos mais tarde tentou outra conspiração com os cariocas, no Rio de Janeiro, mas os poetas só queriam sol, praia e mar e aí acabaram presos. Talvez na Bahia fosse diferente e a Conjuração Baiana (1798), pois boa parte da população resolveu brigar pelo fim o Império, liderados por dois alfaiates. Inspirados pela Revolução Francesa, eles pretendiam proclamar a República. Acabaram descobertos, presos e enforcados, sendo que Berê escapou por pouco desta. Posteriormente, frustrado e acostumado com a idéia da Família Real Portuguesa no Brasil, foi liberado pela sociedade, caiu no mundo e não foi mais visto por paragens nenhuma.
Roquemberg Duarte
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